Certo dia desses, ao ouvir uma pessoa dizendo sobre deficientes físicos e a forma como nos relacionamos com eles, fiquei pensando nos relacionamentos que estabelecemos diariamente com todas as pessoas e como cristãos o que deveríamos buscar vivenciar, com pessoas deficientes ou não fisicamente, e percebi que ainda estamos longe do que realmente Jesus veio nos ensinar. Essa pessoa dizia o seguinte: “Se um deficiente físico não consegue corresponder do jeito que eu desejo, eu me recuso a estabelecer um vínculo diferenciado com ele”.

Quando olho para vida de Jesus, percebo que ele fez justamente o contrário, diante do cego ele perguntou: “O que queres que eu te faça?” e do enfermo: “queres ficar curado?”, e diante daqueles que apresentavam uma deficiência de compreensão da vida, do contexto em que viviam, ou mesmo das situações pessoais, Jesus se apresenta da mesma forma, como para Filipe antes dos sinais do pão ele pergunta “Onde vamos comprar pão para que estes possam comer?” e também para a mulher adúltera “Mulher onde estão eles? Ninguém te condenou?

Jesus olha primeiro a necessidade da pessoa, e espera que essa seja apresentada, buscando estabelecer um vínculo, uma relação baseado naquilo que é faltante pra pessoa naquele momento, talvez as deficiências perceptíveis para os outros em nossa vida, não sejam as reais necessidades daquele momento, mas muitas e na maioria das vezes necessitamos de alguém para nos ouvir, nos amparar e nos encaminhar, para aí sim conseguirmos lidar com as nossas deficiências, com a nossa maneira de ser no mundo, com aquilo que hoje não se apresenta da melhor forma para aqueles que convivem conosco, precisamos ter a coragem de Jesus e perguntar: O que você precisa que eu faça hoje, por você? Acredito que assim conseguiremos nos aproximar um pouco mais daquilo que o Evangelho nos propõe, das consequências das nossas orações e principalmente da forma como conseguiremos nos relacionar para a construção do Reino de Deus, já aqui no tempo de agora. Deixando que as deficiências se tornem secundárias, colocaremos o Amor e a compaixão em primeiro plano, colocaremos o projeto de salvação e existência como finalidade em nossas vidas, estabelecendo relações e vínculos mediante a compreensão de quem se é, para aí sim pensarmos e vivenciarmos nossas deficiências, não as tendo como problemas, rótulos ou imposição de posicionamentos. Não nos recusemos às inúmeras possibilidades que nos são apresentadas diariamente de lidar com as nossas deficiências sejam elas físicas ou não, busquemos sair da nossa limitação, do nosso comodismo, e tomemos para nós a necessidade do outro, talvez assim conseguiremos nos apresentar dignamente como cristãos, pois estaremos de fato buscando viver como Jesus Cristo.

“Pois Deus enviou seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.” (João 3, 17)

Amanda Barbosa

Missionária da Comunidade Católica Alicerce

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