Temos vivido em nosso País um período de grande enfrentamento de opiniões, posições políticas e ideológicas e tantas outras possibilidades de embate que vivenciamos diariamente. Cada qual levantando sua “bandeira” partidária, ideológica ou mesmo pessoal, mas em busca do seu DIREITO e em busca da JUSTIÇA, que muitas vezes é feita com as próprias mãos. Quem está certo ou errado, qual bandeira se deve levantar, não é o que gostaria de refletir aqui, mas sim de que direito estou falando e de qual justiça?!

Todos os anos, no início da quaresma a Igreja no Brasil, nos propõem uma reflexão e nos convida a lançarmos o nosso olhar à uma determinada situação do nosso País, com a Campanha da Fraternidade que este ano traz o tema: “Fraternidade e Políticas Públicas – Serás libertado pelo direito e pela justiça (Is 1, 27)”, sendo assim temos a possibilidade de olhar para o contexto no qual estamos inseridos e para esse período da sociedade brasileira.

Somos formados para viver em sociedade, o ser humano traz em si características inatas que necessitam da sociedade para desenvolver e fazer com que essas capacidades físicas, psíquicas e espirituais sejam desenvolvidas, sendo assim todos temos direito de viver em sociedade e de maneira justa também, de modo a possibilitar esse crescimento cotidiano em cada um de nós; sabemos também que trazemos em nós desejos e vontades que muitas vezes nos levam a extravasar os limites do nosso direito e da justiça para esse desenvolvimento.

Quando trazemos o direito e a justiça para a ótica cristã, percebemos que estes conceitos vão muito além daquilo que é pertencente a cada indivíduo na medida certa, mas Jesus ao abrir mão dos seus próprios direitos e tendo em vista a justiça do Reino de Deus, nos ensina que direito e justiça, devem ser vividos a partir da ótica do Amor, pois quando de fato amamos aqueles que encontramos diariamente, não buscamos nele somente aquilo que ele pode nos oferecer que me é justo e de direito, mas fazemos uso do nosso direito para oferecer  o que tenho e sou para que o outro tenha vida e alcance o seu direito, para que o outro se encontre com a minha justiça e receba através dela o que lhe é justo: sua identidade de filho e filha de Deus se nos propuséssemos a viver assim nesta quaresma, como uma prática de caridade, nossos dias seriam muito melhores e começaríamos um enfrentamento de Amor, um levantamento não somente de bandeiras que classificam e dividem, mas um levantamento de uma sociedade mais harmoniosa e construtora de valores que se somam, encontrando nas diferenças o aumento das potencialidades; que se multiplicam, pois inspirados uns nos outros, somos impulsionados a contribuir; e que se dividem conforme a necessidade de cada um, buscando responder às necessidades, sejam públicas, sociais, físicas ou pessoais, concretizando o tema proposto na CF.

Que esta quaresma seja na vida de cada um de nós, um exercício de Amor, Amor a Deus, ao próximo e consequentemente a nós mesmos, com o direito de sermos felizes e a justiça de sermos íntegros e dignos uns frente aos outros, reconhecendo que o direito e a justiça do Reino de Deus para cada um de nós se dá mediante o Amor que nos é oferecido, a partir de Jesus Cristo e daqueles que providencialmente estão nas nossas vidas diariamente.
Santa Quaresma a cada um, e a todos nós!

Amanda Barbosa da Costa
Missionária da Comunidade Católica Alicerce

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