Tudo ou nada!

Grande marca da espiritualidade de Santa Teresinha do Menino Jesus: Ou tudo ou nada! Ainda criança ao ser questionada pela irmã para que escolhesse um objeto em meio a muitos outros, Teresinha diz: “Quero tudo!” Pode nos parecer egoísmo da parte de Teresinha falar assim, mas essa determinação presente em sua personalidade foi o que deu a ela a possibilidade de alcançar a tão alegre e profunda vivência da santidade, ela que hoje é para nós exemplo de determinação, superação, abandono e busca pela vontade de Deus.

Desde muito pequena não se contentava com pouco, buscava sempre mais, procurando superar seus limites, reconhecendo suas fraquezas e se colocando sempre a disposição para aprender, ensinar e principalmente ajudar aqueles que viviam ao seu lado. Muitos relatam sua amabilidade, confiança e despojamento no relacionamento com as pessoas, ansiava por estar próxima a Jesus e ser “como uma criancinha em Seus braços”, Terezinha me ensina a buscar cada vez mais esta intimidade com Jesus, de encontrar nas pessoas o semblante sereno e cativante do próprio Cristo.

De modo particular, no celibato, Santa Teresinha me ensina a não negar nada a Jesus…  Assim como ela fez. Ao receber de Jesus a graça de viver o celibato consagrado, sou impelida pela força do Espírito Santo a me lançar cada vez mais nos braços Dele e abraçar tudo! O celibato é a possibilidade de obter e dar tudo a Deus, de modo que o relacionamento entre o Deus que ama e o ser que é amado se torne tão profundo, a ponto de ser totalmente esvaziada e totalmente amada, para dar tudo às pessoas, aos que procuram um sentido, um abrigo, um porto seguro, o próprio Cristo! Além de uma graça, o celibato é o grande desafio de encontrar-me comigo mesma, reconhecer a minha pequenez e seguir a Cristo nesta pequena via de Amor, permitindo que Ele viva em mim, que fale em minhas palavras, que sorria em meu sorriso e que principalmente ame em mim.

Filhos do mesmo Deus, somos vocacionados à santidade, e Santa Terezinha é com toda certeza um grande exemplo a ser seguido, depois de ter suportado grandes sofrimentos, superado e trabalhado sua humanidade para se configurar a vontade de Deus, mas principalmente Teresinha me ensinou que devo desejar e buscar tudo! Tudo o que é essencial, tudo o que é valoroso e que permanece, tudo o que me constrói como pessoa, tudo o que de fato me faz feliz e me realiza, não posso me contentar com pouco, anseio por TUDO!!! Tudo aquilo que Deus tem pra mim, tudo aquilo que Ele formou em mim, desejo por tudo que ainda virá das mãos providentes Daquele que amo e não me arrependo de Tê-lo escolhido, diante de tantas opções que a vida me oferece, sendo assim posso proclamar alegremente como Santa Terezinha: “Tendo Jesus, tenho TUDO!”.

Amanda Barbosa da Costa

Missionária da Comunidade Católica Alicerce

Santo do dia: Santa Teresinha do Menino Jesus

Não quero ser santa pela metade, escolho tudo”.

A santa de hoje nasceu em Alençon (França) em 1873 e morreu no ano de 1897. Santa Teresinha não só descobriu que no coração da Igreja sua vocação era o amor, como também sabia que o seu coração – e o de todos nós – foi feito para amar. Nascida de família modesta e temente a Deus, seus pais (Luís e Zélia) tiveram oito filhos antes da caçula Teresa: quatro morreram com pouca idade, restando em vida as quatro irmãs da santa (Maria, Paulina, Leônia e Celina). Teresinha entrou com 15 anos no Mosteiro das Carmelitas em Lisieux, com a autorização do Papa Leão XIII. Sua vida se passou na humildade, simplicidade e confiança plena em Deus.

Todos os gestos e sacrifícios, do menor ao maior, oferecia a Deus pela salvação das almas e na intenção da Igreja. Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face esteve como criança para o Pai, livre, igual a um brinquedo aos cuidados do Menino Jesus e, tomada pelo Espírito de amor, que a ensinou um lindo e possível caminho de santidade: infância espiritual.

O mais profundo desejo do coração de Teresinha era ter sido missionária “desde a criação do mundo até a consumação dos séculos”. Sua vida nos deixou como proposta, selada na autobiografia “História de uma alma” e, como intercessora dos missionários sacerdotes e pecadores que não conheciam a Jesus, continua ainda hoje, vivendo o Céu, fazendo o bem aos da terra.

Morreu de tuberculose, com apenas 24 anos, no dia 30 de setembro de 1897 dizendo suas últimas palavras: “Oh!…amo-O. Deus meu,…amo-Vos!”

Após sua morte, aconteceu a publicação de seus escritos. A chuva de rosas, de milagres e de graças de todo o gênero. A beatificação em 1923, a canonização em 1925 e declarada “Patrona Universal das Missões Católicas” em 1927, atos do Papa Pio XI. E a 19 de outubro de 1997, o Papa João Paulo II proclamou Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face doutora da Igreja.

Santa Teresinha do Menino Jesus, rogai por nós!

Francisco: o contemplativo tornar-se guardião do meio ambiente

“Para sair de uma pandemia, é preciso cuidar-se e cuidar uns dos outros. Temos de apoiar aqueles que cuidam dos mais frágeis, dos doentes e idosos. Existe o hábito de deixar os idosos de lado. De abandoná-los. É feio isso.” Estas foram as palavras iniciais proferidas pelo Papa Francisco na catequese da terceira Audiência Geral pública, desde o início da pandemia de coronavírus, realizada no Pátio São Dâmaso, nesta quarta-feira (16/09).

“Curar o mundo. Cuidar da Casa comum e atitude contemplativa” foi o tema deste encontro semanal em que o Pontífice ressaltou que os “cuidadores desempenham um papel essencial na sociedade de hoje, embora com frequência não recebam o reconhecimento nem a remuneração que merecem. O cuidado é uma regra de ouro da nossa condição humana e traz consigo saúde e esperança. Cuidar de quem está doente, de quem precisa, de quem é deixado de lado. Esta é uma riqueza humana e cristã”.

A contemplação cura a alma

Devemos dirigir este cuidado também à nossa Casa comum: à terra e a cada criatura. Todas as formas de vida estão interligadas, e a nossa saúde depende daquela dos ecossistemas que Deus criou e dos quais nos encarregou de cuidar. Por outro lado, abusar deles é um pecado grave que nos prejudica e nos faz adoecer. O melhor antídoto contra este uso impróprio da nossa Casa comum é a contemplação. Mas como! Não existe uma vacina para isso? Para a cura da Casa comum? Para não deixá-la de lado? Qual é o antídoto contra a doença de não cuidar da Casa comum?

Segundo o Pontífice, “quando não se aprende a parar a fim de admirar e apreciar o que é belo, não surpreende que tudo se transforme em objeto de uso e abuso sem escrúpulos. Um objeto que se usa e joga fora. No entanto, a nossa Casa comum, a criação, não é um mero ‘recurso’. As criaturas têm um valor em si e ‘refletem, cada uma à sua maneira, um raio da infinita sabedoria e bondade de Deus’. Este valor e este raio de luz divina devem ser descobertos e, para os descobrirmos, precisamos de silêncio, escuta e contemplação. A contemplação cura a alma”.

Trabalho não é sinônimo de exploração

Francisco disse que “sem contemplação, é fácil cair num antropocentrismo desequilibrado e soberbo, eu no centro de tudo, o que sobredimensiona o nosso papel de seres humanos, posicionando-nos como dominadores absolutos de todas as outras criaturas. Uma interpretação deturpada dos textos bíblicos sobre a criação contribuiu para esta interpretação errada, o que leva a explorar a terra a ponto de a sufocar. Explorar a criação. Este é o pecado. Acreditamos que estamos no centro, pretendendo ocupar o lugar de Deus, e assim arruinamos a harmonia da criação, a harmonia do desígnio de Deus”. E acrescentou:

Tornamo-nos predadores, esquecendo a nossa vocação de guardiães da vida. Sem dúvida, podemos e devemos trabalhar a terra para viver e para nos desenvolvermos. Mas trabalho não é sinônimo de exploração, e é sempre acompanhado pelo cuidado: lavrar e proteger, trabalhar e cuidar. Esta é a nossa missão. Não podemos pretender continuar crescendo a um nível material, sem cuidarmos da Casa comum que nos acolhe. Os nossos irmãos mais pobres e a nossa mãe terra gemem pelos danos e injustiças que causamos, e reclamam outro rumo. Pedem uma conversão, mudança de estrada. Cuidar também da terra, da criação.

“É importante recuperar a dimensão contemplativa. Olhar para a terra, a Criação como um dom, não como algo a ser explorado para o meu proveito. Quando contemplamos, descobrimos nos outros e na natureza algo muito maior do que a sua utilidade. Aqui está o centro do problema. Contemplar é ir além da utilidade de uma coisa. Contemplar o belo não significa explorar. É contemplar. É gratuito. Descobrimos o valor intrínseco das coisas que lhes foram conferidas por Deus. Como muitos mestres espirituais ensinaram, o céu, a terra, o mar, cada criatura possui esta capacidade icônica ou mística de nos reconduzir ao Criador e à comunhão com a criação”, disse o Papa.

Cada um de nós deve ser guardião do ambiente

Segundo o Pontífice, “a contemplação, que nos leva a uma atitude de cuidado, não significa olhar para a natureza de fora, como se não estivéssemos imersos nela. Estamos dentro da natureza! Fazemos parte da natureza! Pelo contrário, faz-se a partir de dentro, reconhecendo-nos como parte da criação, tornando-nos protagonistas e não meros espectadores de uma realidade amorfa que só se trataria de explorar”.

“Tem uma coisa que não devemos nos esquecer”, frisou o papa. “Quem não sabe contemplar a natureza e a criação, não sabe contemplar as pessoas em suas riquezas e quem vive para explorar a natureza, acaba explorando as pessoas e as trata como escravas. Esta é uma lei universal. Se você não sabe contemplar a natureza, é difícil que saberá contemplar as pessoas. A beleza das pessoas, o irmão , a irmã, todos nós.” A seguir, acrescentou:

Quem sabe contemplar, começará mais facilmente a trabalhar para mudar aquilo que produz degradação e danos para a saúde. Compromete-se a educar e a promover novos hábitos de produção e de consumo, a contribuir para um novo modelo de crescimento econômico que garanta o respeito pela Casa comum e o respeito pelas pessoas. O contemplativo em ação tornar-se guardião do meio ambiente. É  bonito isso! Cada um de nós deve ser guardião do ambiente, da pureza do ambiente, procurando conjugar saberes ancestrais de culturas milenares com novos conhecimentos técnicos, a fim de que o nosso estilo de vida seja sustentável.

Relação fraterna com a criação

“Contemplar e cuidar: eis duas atitudes que indicam o caminho para corrigir e reequilibrar a nossa relação de seres humanos com a criação. Muitas vezes a nossa relação com a criação parece ser uma relação entre inimigos. Destruir a criação para o meu benefício. Não podemos nos esquecer que isso se paga caro. Não nos esqueçamos o ditado espanhol: “Deus perdoa sempre, nós perdoamos às vezes, a natureza não perdoa nunca”. Hoje, li no jornal sobre as duas grandes geleiras da Antártica, perto do Mar de Amundsen. Estão prestes a cair. Será terrível, porque o nível do mar aumemntará e isso irá trazer muitas, muitas dificuldades e muito mal. E por que? Por causa do aquecimento, do não cuidar do meio ambiente, não cuidar da Casa comum. Por outro lado, quando temos esta relação – deixe-me dizer a palavra – “fraterna”: é uma figura; uma relação “fraterna” com a criação, nos tornamos guardiães da Casa comum, guardiães da vida e guardiães da esperança. Protegemos a herança que Deus nos confiou para que as gerações futuras possam desfrutá-la. E alguém pode dizer: “Mas eu vivo assim”. O problema não é como você administra hoje – isso foi dito por um teólogo alemão, protestante, bom: Bonhoeffer – o problema não é como você administra hoje; o problema é: qual será a herança, a vida da geração futura? Pensemos nas crianças, nos netos: o que deixaremos se exploramos a criação? Vamos proteger este caminho. Preservemos a herança que Deus nos confiou, para que as gerações futuras possam usufruir dela”, disse Francisco, acrescentando:

Penso de forma especial nos povos indígenas, com os quais todos nós temos uma dívida de gratidão, mas também de penitência, para consertar o mal que fizemos a eles. Mas penso também nos movimentos, associações e grupos populares que estão comprometidos em proteger o próprio território com os seus valores naturais e culturais. Estas realidades sociais nem sempre são apreciadas, às vezes são até impedidas, mas na realidade contribuem para uma revolução pacífica, a “revolução do cuidado”. Contemplar para curar. Contemplar para cuidar. Contemplar para proteger, proteger a Criação, os nossos filhos, netos e proteger o futuro. Contemplar para curar e proteger e deixar uma herança para a geração futura.

O Papa concluiu, dizendo que “não é necessário delegar a alguns a tarefa que compete a cada ser humano. Cada um de nós pode e deve se tornar um ‘guardião da Casa comum’, capaz de louvar a Deus por suas criaturas, contemplando-as e protegendo-as”.

Fonte: Vatican News